Sexualidade Humana

Ansiedade e prazer: A Dinâmica da Sexualidade

 

Roberto Andersen

Assista o vídeo em:

http://youtu.be/yuBAtPIfn-M

 

“Por que você fala tanto em prazer?” É a pergunta que sempre ouço quando falo sobre qualquer assunto.

Posso estar exagerando? Sim! É possível. Mas, na realidade, acredito que tudo, na vida, para ser perfeito, precisa do prazer.

Essa sensação surge como o verdadeiro ópio da humanidade. O prazer relaxa, libera energias, dá vazão a ansiedades...

Olhando biologicamente o prazer faz operar o sistema nervoso parassimpático trazendo, de volta, a sensação de expansão e de alívio.

Mas que prazer é esse ligado a alívio, a expansão e a liberação de energias? É o prazer de estar junto de alguém que se ama (amor, vindo do termo grego “philis”)? Ou é o prazer de possuir alguém que se deseja (amor, vindo do termo grego “eros”)?

Se essa sensação de prazer for sentida pelo simples ato de estar próximo da pessoa que se ama, como no caso de pais e filhos, ele vem de “philis”, e nada tem a ver com a sexualidade.

Esse tipo de prazer, entretanto, é fundamental para a manutenção do “eros” vivo em uma relação conjugal. O amor “eros”, sozinho, não parece resistir ao casamento!

Por que “eros” não resiste ao casamento? Porque ele é alimentado permanentemente pela curiosidade, pelo mistério, pelas diferenças, pelas dúvidas e está intimamente ligado ao sentimento de posse, de exclusividade, de domínio.

E são essas curiosidades, dúvidas e sentimentos de posse que provocam o surgimento do outro componente da sexualidade, tão importante quanto o prazer, que é a ansiedade! Estando ela presente sabemos que o ciclo de funcionamento, ou a dinâmica da sexualidade, está completa.

Não havendo mais dúvidas, não havendo curiosidades e não havendo mistérios, a ansiedade perde força e a dinâmica da sexualidade pode ser eliminada.

Nesse momento entra o amor “philis” que mantém a satisfação da presença e a criatividade para o reinício do processo de conquista. Ele cria novas ansiedades e realimenta a dinâmica da sexualidade. Renasce o amor “eros”.

A ansiedade, então, é o contraponto necessário e imprescindível ao prazer, para formar a dinâmica da sexualidade! Ela, a ansiedade, é quem vai gerar ou alimentar a principal energia do aparelho psíquico das pessoas, cuja essência, é o que Freud denominou de “Princípio do Prazer”.

Biologicamente ela faz operar o sistema nervoso simpático, provocando a sensação de contração. Essa contração pode ser sentida, algumas vezes, de forma desagradável, apresentando uma espécie de dor interna (aperto), como ocorre com alguns adolescentes em recente descoberta do amor (amor = eros).

Contração e expansão são as formas biológicas correspondentes aos sentimentos de ansiedade e de prazer, constituindo a dinâmica da sexualidade.

Wilhelm Reich[1], no início do século XX, procurou sintetizar tecnicamente essa operação dos sistemas nervosos (simpático e parassimpático), trabalhando em oposição de fases, como a dinâmica primordial para a excitação biológica necessária à sexualidade. Ele denominou essa dinâmica de “pulsação expansão-contração”.

Essa pulsação, expansão-contração, parece estar presente em muitos outros momentos da vida em geral, e não apenas naqueles ligados à sexualidade.

Freud, no entanto, procura mostrar que em todos esses momentos há evidências da sexualidade latente, o que, para ele, é a mola mestra do comportamento humano.

Em sua obra “A Função do Orgasmo”, 1929, Wilhelm Reich mostra que as enfermidades mentais podem ser causadas pela perturbação do desenvolvimento livre e sadio das funções biológicas básicas. A principal delas, segundo ele, é o orgasmo.

No seu estudo, a ausência do orgasmo pode afetar negativamente a pessoa em seu equilíbrio individual ou mesmo social.

Mas para essa ausência ser sentida há necessidade da criação da dinâmica da sexualidade, iniciando com a ansiedade. Essa ansiedade será o elemento criador ou alimentador da energia sexual.

Os gregos também davam muita importância à sexualidade. Eles consideravam o ato sexual totalmente positivo e necessário, tanto para a saúde e bem estar, como também estimulador das faculdades mentais.

Foram os cristãos, na história conhecida, que começaram a relacionar a sexualidade ao mal, criando a ideia do ato imoral e gerando, assim, neuroses frequentes em todo aquele que, segundo o cristianismo: “sucumbiam a tais pecados”.

Algumas religiosidades consideram que a energia criada pela ansiedade quando não é extravasada pelo prazer sexual aumenta a potencialidade espiritual do indivíduo, colocando-o em estado pleno de ligação com as energias superiores, como no caso do clero católico e demais religiões monásticas.

Maravilhosa forma de se comunicar com Deus... Eu, sinceramente, não consegui me animar com essa ideia. Está muito acima de minhas possibilidades...

Há também o caso das pessoas que não se sensibilizam com quase nada! Nesses casos não há geração da ansiedade, nenhuma dinâmica sexual será iniciada e, portanto, não haverá necessidade da obtenção do prazer, já que nada há para extravasar.

Esses são totalmente sadios psiquicamente, pois não criam neuroses e não precisam procurar satisfazer energias libidinosas... Felizes... Ou não?

Prefiro, ainda, ser neurótico...



[1] Wilhelm Reich (1897-1957) - neurologista, psiquiatra e psicanalista, pioneiro da revolução sexual, da psiquiatria social e da medicina psicossomática.

 


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