Escola invertida - implantação por dinâmica grupal

14/02/2017 16:30

ESCOLA INVERTIDA – Implantação por DINÂMICA GRUPAL

1.     Escola Invertida

a.     Conceito

A metodologia difundida como sendo de uma “sala de aula invertida” nada mais é do que uma sala de aula comum onde os alunos, ao chegarem para a aula, já fizeram uma leitura prévia na véspera.

Aos poucos, essa leitura prévia, a depender das condições de cada aluno ou da própria escola, pode significar que o aluno assistiu a vídeo-aulas sobre o assunto, pesquisou em biblioteca física ou virtual, debateu com colegas em estudos em grupo ou via redes sociais, e tudo o mais que possa dar a ele uma boa noção do assunto, antes mesmo que o professor o apresente em sala.

Quando tudo isso ocorre, o momento da aula passa a ser um momento de debate entre alunos e professor, transformando o tradicional aluno passivo, característico de uma aula regular meramente expositiva, em um interessado aluno ativo em uma aula onde o ponto alto é o diálogo aluno-professor, onde o aluno mostra o que entendeu, permitindo ao professor, com muito mais facilidade, ampliar a compreensão e garantir melhor aprendizagem.

b.     Dificuldades de implantação “por decreto”

Diversas escolas têm tentado implantar essa metodologia, ao longo de muitos anos, mas muitas não tiveram o sucesso esperado, principalmente por não terem conseguido convencer a totalidade dos alunos a realizarem essa leitura prévia.

Em algumas universidades americanas a solução foi divulgar a metodologia e criar turmas regulares e invertidas para que os alunos escolhessem em qual desejariam se matricular.

Ao final de um período de testes sempre se verifica melhor aproveitamento entre os alunos que optaram pelo método invertido.

Mas o que se percebe é que esses alunos, mesmo em sala regular, já trazem o costume da leitura prévia, independentemente de o professor adotar ou não tal método.

Mais uma vez, então, percebe-se que não houve sucesso, porque não se conseguiu convencer os demais alunos a adotarem tal processo de estudo, o que seria uma garantia na melhoria do aprendizado de todos os alunos de uma instituição.

Então, algo precisa ser feito, para que esse método seja implantado, mas não “por decreto”, pois já se viu que não dá resultado, mas por alguma estratégia de convencimento coletivo, que é o que vamos ver no método da “dinâmica grupal”.

c.      Processo de implantação – conhecimentos básicos necessários

Para analisar a estratégia que mais tem dado certo até hoje durante todas as experimentações realizadas pelos professores-pesquisadores ligados ao IUPE, precisamos lembrar algum conhecimento básico sobre o processo de aprendizagem.

2.     Aprendizagem

a.     Aspectos psicológicos

Toda pessoa precisa estar bem equilibrada emocionalmente para que o processo de aprendizagem funcione de forma eficaz.

E é importante que todo educador saiba que, para o aluno alcançar esse equilíbrio emocional, ou seja, estar livre de neuroses, ele precisa estar satisfeito na sua fase de desenvolvimento orgânico e psíquico.

Como a satisfação correta dessas fases depende da família, surge a necessidade de ser planejado pela escola um programa de Treinamento Parental.

Os elementos para esse treinamento podem ser encontrados no meu livro Afetividade na Educação, da página 77 à página 99.

b.     Aspectos neurofisiológicos

Além disso existem as características naturais de desenvolvimento, tanto da substância branca como da substância cinzenta, que são as redes neurais responsáveis por todo o comando cerebral do nosso organismo.

Em alguns momentos, como na adolescência, a energia necessária ao desenvolvimento das características sexuais reduz a energia que antes estava toda direcionada para o desenvolvimento intelectual.

Com isso, o aumento da massa cinzenta no controle de desenvolvimento sexual pode significar uma redução considerável na massa do intelecto, a menos que esse aluno esteja com uma boa ativação intelectual por meio da uma rotina prazerosa de estudos e pesquisas.

Elementos para esse entendimento poderão ser encontrados em nossos artigos sobre neurofisiologia da aprendizagem no portal IUPE – pesquisas - artigos.

c.      Aspectos neurológicos

O principal dos aspectos neurológicos são os que mostram como se dá o processo da aprendizagem, ou seja, inicia com o registro diário das informações pelas redes neurais localizadas no hipocampo, para mais tarde, durante o sono, essas informações serem transportadas para as para as áreas corticais correspondentes, configurando a memória consolidada.

Esse processo pode ser mais bem entendido pela leitura do nosso artigo neurologia da aprendizagem no portal IUPE – pesquisas – artigos.

3.     Dinâmica Grupal em Sala de Aula

Com esse conhecimento prévio podemos, então, analisar cada passo a ser dado na implantação, pelos professores, da metodologia de “Dinâmica Grupal em Sala de Aula”, que é o que vai, de forma muito sutil, levar os alunos a perceberem que, se fizerem uma leitura prévia dos assuntos dados em aula, terão muito mais tranquilidade e aprendizagem.

a.     Marketing do assunto (estimular o interesse)

Toda aula deve ser iniciada com um “marketing” do assunto, para aguçar a curiosidade e, assim, estimular o interesse e despertar a atenção.

Para isso é sempre bom que o professor esteja se atualizando com as notícias da semana, principalmente aquelas que são do conhecimento dos alunos.

Esse marketing deve ser feito em uma linguagem que alcance todos os alunos da turma, incluindo aí os alunos especiais que porventura houver na sala.

b.     Divisão da turma em Grupos Operativos

Feito o marketing, parte-se para a transformação do aluno, antes passivo, agora em ativo, quando ele vai trabalhar, em seu caderno, respondendo ao roteiro ou questionário ou lista de exercícios, referente ao assunto, consultando, em grupo, o livro texto.

Para isso os alunos são distribuídos em grupos de trabalho, uma adaptação dos “Grupos Operativos” criados por Pichon Riviere.

A composição dos grupos deve variar, a depender das observações do professor, para que se obtenha bons resultados nesse estudo dirigido. A frequência e a forma de se fazer essa variação vai depender das características de cada turma e das observações do professor.

c.      Os roteiros ou questionários ou lista de exercícios

A preparação desse roteiro deve ser feita de forma que, ao responder, o aluno estará mostrando que realmente aprendeu o assunto.

Para isso o roteiro deve abranger a totalidade dos conceitos apresentados no capítulo ou parte do capítulo do livro, cujo tema seja o assunto dessa aula.

Havendo aluno especial em sala, seu roteiro deverá ter o mesmo título, os mesmos desenhos, as mesmas cores, mas as questões deverão ser preparadas rigorosamente dentro da sua capacidade de entendimento.

d.     Acompanhamento de cada grupo com registro de performance pessoal

Durante o trabalho dos grupos o professor visita cada um deles, procurando analisar a performance de cada um, registrando as características de cada componente dos grupos e identificando dúvidas que possam constituir uma dúvida geral.

Nesse caso o professor interrompe o estudo de todos os grupos e chama a atenção de todos para a explicação, agora sim, expositiva, que ele dará para todos.

Essa é a segunda parte expositiva da aula, mas somente no momento em que surgirem as dúvidas.

Dessa forma essa parte expositiva terá muito mais atenção de toda a turma do que as tradicionais aulas expositivas de todo o assunto.

Terminada a explanação os grupos voltam ao seu trabalho ativo seguindo o roteiro.

e.     Dica sobre explanação de dúvidas

O professor pode, em vez de dar a explicação da dúvida, designar algum aluno para isso, tornando, assim, a aula mais dinâmica ainda.

f.       “Dica” inclusiva no caso de haver aluno especial

Havendo alunos especiais na turma, uma boa dica para facilitar a inclusão, é a inserção de uma questão final, no roteiro, que seja de entendimento geral, inclusive dos especiais, para que todos possam resolver, de forma lúdica, misturando todos os alunos, sejam eles especiais ou não.

Um bom exemplo foi dado em uma aula de geografia para uma turma do 8º ano sobre Continente Americano, quando a última questão do roteiro era um mapa para ser colorido.

Nesse momento todos os alunos foram para o chão, misturando-se com os especiais, colorindo seus mapas.

4.     Avaliações - Preparação para Sala de Aula Invertida

a.     Pontuação processual em grupo

Em cada uma dessas aulas o professor pode, ao terminar, dar uma nota para cada grupo e, até, caso em algum grupo tenha um componente sem muita dedicação, uma nota para esse grupo diferente da nota do componente, assim estimulando todos ao trabalho.

Lembrem que em todos os cursos de pedagogia e matérias de licenciatura é ensinado que as avaliações mais eficazes são as avaliações processuais.

Na realidade sabemos que isso é ensinado e, embora todos os professores respondam dizendo que suas avaliações são dessa forma, é muito comum vermos apenas provas padronizadas em dois momentos. Uma no meio da unidade letiva e outra no final da unidade.

Nessa metodologia as avaliações são, verdadeiramente, processuais, como todos os professores dizem fazer.

b.     Grupos que demonstraram leitura prévia são reconhecidos publicamente e recebem maior pontuação

Para começar a estimular os alunos à leitura prévia (característica principal da escola invertida) o professor pode, ao dar uma boa nota para um determinado grupo, reconhecer em público que eles alcançaram aquela nota por terem feito a leitura prévia do assunto trabalhado.

c.      Avaliações individuais tradicionais confirmam a aprendizagem ou indicam a necessidade de mudança de procedimento

Em diversos momentos devem ser realizados testes ou provas individuais, com os alunos distribuídos de forma tradicional, para que sejam verificadas as dificuldades que porventura não tenham sido detectadas durante os trabalhos em grupo.

Ao detectarmos, por meio dessas avaliações individuais, alguma discrepância de aprendizagem, é o momento de esses alunos serem analisados em suas dificuldades para o planejamento de providências específicas.

5.     Observação importante:

Os professores poderão inserir, em seu planejamento, aulas lúdicas, debates, jogos, passatempos e diversões, tudo sempre com conteúdo do assunto da matéria, para evitar que o processo do “aluno ativo” no estudo dirigido fique muito cansativo.

Essas aulas lúdicas podem servir como uma avaliação por meio de disputa de grupos, após o estudo e um capítulo de cada unidade letiva, por exemplo.


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