Frustrados e ressentidos

24/02/2009 19:05

Antonio Sepulveda

Escritor

 

O antiamericanismo transformou-se na tábua de salvação dos jacobinos tupiniquins. Muito mais do que uma crítica acerba à política externa norte-americana, tornou-se uma mania que, ostensivamente incentivada pelo Palácio do Planalto, assume visos tão grosseiros quanto irracionais. Para as nossas esquerdas, odiar os Estados Unidos é mesmo uma paixão, e o bom senso ensina que as paixões cegam.

 

Historicamente, os socialistas sempre execraram a América festejada por Jean Jacques Rousseau. Órfãos inconformados de uma doutrina fracassada, continuam obstinados defensores de sua ultrapassada identidade ideológica. Acham insuportável o êxito descabido da nação que os expulsou da cena geopolítica mundial e que agora lhes nega o privilégio de intervir significativamente no cenário estratégico onde se decidem os possíveis destinos da humanidade. Esse socialismo paranóico, humilhado, ressentido e impotente vê na Estátua da Liberdade o leviatã que engoliu a quimera marxista.

 

A desmoralização do socialismo causou a perda da identidade das esquerdas, porquanto o passado de sua experiência prática não produziu um único e escasso resultado positivo. Ficaram as suas vítimas, que andam por aí a nos relatar, em minúcias, a miséria, o atraso e o sofrimento daqueles que tiveram a infelicidade de viver sob o tacão de um regime que tende a ser, por natureza, monopartidário, policialesco e ditatorial. Nada mais lhes resta além do imenso presídio da Cuba de Fidel Castro, que ousam chamar de paraíso.

 

Ainda tontos com a bordoada que levaram, andam em busca de uma nova linha de ação ou reação; precisam demonstrar ao mundo que, apesar das evidências em contrário, os Estados Unidos também são vilões, e o capitalismo liberal, uma opção pior que o comunismo. Nessa cruzada passional, vale absolutamente tudo, desde meias verdades e distorções, passando pela maciça propaganda baseada em sofismas, inversão de causalidades e ocultação de fatos, até a pura e simples mentira deslavada e abrasiva. Insistem no rudimentar argumento marxista de que, para o rico ficar mais rico, o pobre tem de ficar mais pobre. Logo, como os EUA prosperaram, inferem, cinicamente, que o resto do mundo pagou por essa prosperidade.

 

A superpotência americana surgiu da criatividade do seu povo e pelos erros acumulados do resto do mundo. Afinal de contas, foram os europeus que fizeram do século XX o palco de duas guerras mundiais e de inúmeros regimes totalitários. Foram as nações européias que invadiram, conquistaram e exploraram outros continentes. Os Estados Unidos jamais colonizaram outras terras; pelo contrário, salvaram o mundo das garras dos nacional-socialistas alemães, dos fascistas italianos e dos comunistas russos. Paradoxalmente, contudo, os americanos são acusados de imperialistas e colonizadores; logo eles, que instituíram a democracia na Alemanha, na Itália e no Japão, além de terem salvado a França humilhada da destruição completa. E como se nada disso bastasse, os ianques tiveram o papel principal e decisivo no progresso das ciências. Desenharam o mundo tecnológico em que vivemos e, para desespero de seus obsessivos detratores, demonstraram cabalmente a potencialidade do ser humano, quando sujeito a um clima contínuo de capitalismo e liberdade de iniciativa. 


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