Raça: Uma nova arbodagem

24/02/2009 20:44

 12/07/2003


Existe raça?



Nicholas D. Kristof
Colunista
DE OXFORD, Reino Unido 


Meu DNA foi examinado por famoso especialista em genética nesta cidade e, imagina! O resultado foi que sou afro-americano.

O DNA das mitocôndrias em minhas células mostra que sou descendente de uma matriarca que vivia na África, possivelmente no que é hoje a Etiópia ou o Quênia.

Tudo bem, isso foi a 70.000 anos e ela parece ser um ancestral comum a todos asiáticos e caucasianos. Mesmo assim, esse tipo de análise de DNA lança luz ao acalorado debate científico sobre a veracidade do conceito de raça.

"Não há base genética para qualquer tipo de classificação étnica ou racial. Sempre me perguntam se existe DNA grego ou genes italianos, mas, é claro, não há... Somos muito próximos", disse Bryan Sykes, o geneticista que me atendeu em Oxford e autor de "The Seven Daughters of Eve" (As sete filhas de Eva). 

Da mesma forma, "The New England Journal of Medicine", certa vez, afirmou categoricamente em seu editorial que "a raça é biologicamente insignificante".

Tomemos o meu exemplo. Sykes analisou a seqüência do meu DNA mitocondrial para me posicionar dentro de uma árvore genealógica global. Teria sido bom saber que meus genes vinham de uma aldeia de pescadores no Lago Ness, mas os ancestrais não podem ser identificados com tanta precisão e, aparentemente, eu sou um híbrido. Uma das minhas variantes, por exemplo, está espalhada entre pessoas na Finlândia, Polônia, Armênia, Holanda, Escócia, Israel, Alemanha e Noruega.

Por outro lado, será que a raça é realmente "biologicamente insignificante"? O fanatismo tem sido tão destrutivo que é tentador negar a raça e a etnia como conceitos artificiais, mas existem diferenças genuínas entre grupos populacionais.

Judeus têm maior probabilidade de ser portadores de mutações do tipo Tay-Sachs; africanos, da anemia falciforme. É difícil argumentar que a etnia é um conceito vazio quando a mutação gênica que provoca a hemocromatose, uma doença no armazenamento do ferro, afeta menos de 1% dos armênios, mas 8% dos noruegueses.

"Existe grande valor em categorizações raciais étnicas" para a medicina, protestou um geneticista de Stanford, Neil Risch, em um artigo na Genome Biology no ano passado. Ele foi contra "ignorar nossas diferenças, mesmo com a melhor das intenções".

O DNA tende a ser diferente, ligeiramente, com a raça. Por exemplo, recentemente, psicólogos que estavam estudando um matador em série em Louisiana achavam que era branco. Uma amostra de DNA indicou a probabilidade de ser negro. (Um homem negro suspeito foi preso neste caso). Com o avanço da genética, eventualmente, a polícia poderá pegar uma amostra de sêmen e assim determinar que o procurado é um estuprador alto, branco, com cabelos ruivos cacheados, olhos azuis e, talvez, um sobrenome escocês.

Por outro lado, marcadores genéticos associados com africanos podem surgir em pessoas de aparência totalmente branca. Indianos e paquistaneses podem ter pele escura, mas os marcadores genéticos mostram que são caucasianos.

Outra complicação é que os afro-americanos são, na média, cerca de 17% brancos: têm mitocôndria (herdada da mãe) africana, mas freqüentemente têm cromossomos Y de europeus. Em outras palavras, homens brancos violentaram ou seduziram suas ancestrais.

Entre judeus, existem marcadores genéticos comuns, incluindo alguns encontrados em metade dos homens judeus chamados Cohen. Mas não é especificamente um gene judeu: o mesmo marcador é encontrado em árabes.

"A pesquisa genética está prestes a pôr um fim à nossa longa aventura mal-sucedida com a idéia de raça", escreve Steve Olson em seu novo livro, "Mapping Human History" (Mapeando a história humana).

Quando morei no Japão, nos anos 90, meu filho Gregory ia na casa de um colega que eu não conhecia. Perguntei a Gregory, que tinha 5 anos, se a mãe do menino era japonesa.

"Não sei", respondeu Gregory.

"Bem, ela parecia japonesa ou americana?" Apesar de morar em Tóquio há anos, Gregory respondeu francamente, "Como se reconhece um japonês?"

Ele estava à frente de seu tempo. Cada vez mais, a genética mostra que as distinções raciais e étnicas são reais -mas freqüentemente inexatas e amplamente exageradas. A genética vai mostrar que os humanos são híbridos e tornará o racismo uma piada.

"Existem distinções significativas entre grupos, que podem ter implicações para suscetibilidade a doenças. A versão da direita para isso é 'The Bell Curve' (a Curva Normal) e isso é pseudociência - não é real. Mas pode haver um meio termo entre o politicamente correto da esquerda e a maldade da direita", disse Harry Ostrer, geneticista da Escola de Medicina da Universidade de Nova York. 

Estarei procurando por esse meio termo este ano enquanto celebrar o Kwanzaa. 

Tradução: Deborah Weinberg


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