Autismo: um detalhe enriquecedor

23/03/2011 17:36

Agente estuda, lê, discute, participa de conferências... E cada vez sabemos menos sobre o autista! Mas, pelo menos, algumas coisas já se configuram como possíveis verdades. E, para nossa sorte (e deles, principalmente), alguns elementos bastante positivos começam a aparecer entre as pessoas com tais características.

O tal "detalhe enriquecedor", por exemplo, que comento no título, tem surpreendido muito profissional experiente no acompanhamento dos autistas. Esse detalhe, quando bem trabalhado, pode ser a chave para o sucesso pessoal e profissional desse autista. Mas quando mal trabalhado, pode significar o seu fracasso.

Esse detalhe é a identificação e o estímulo de alguma habilidade especial que, por algum motivo, ocorre com muita frequência em grande parte dos portadores de algum tipo de T.E.A. (Transtorno do Espectro Autista).

Mas, para que essa identificação e o posterior estímulo sejam possíveis, precisamos entender e eliminar um dos maiores inimigos do sucesso dessas crianças, que é a sua rotulação como doente mental.

Por que doente mental? Porque não é normal? O que é, então, ser normal? É ser igual a nós? Mas se o autista Kim Peek era conhecido pela imensa capacidade de memória, sendo capaz de manter decorado mais de doze mil livros, sendo por isso chamado de "google andante", quem é o deficiente afinal? Ele ou nós?

Nossa noção de deficiência pode servir, inclusive, para atrasar todo o desenvolvimento tecnológico e grande parte das pesquisas científicas de maior importância para nós e o nosso planeta. Imaginem, por exemplo, descartarmos a inteligência e a produtividade  científica de Stephen Hawkins, simplesmente por ele estar completamente imobilizado, há anos, em uma cadeira de rodas, com capacidade de movimentar apenas os olhos e um dedo! Não sei se algum outro físico da atualidade teria condições de superá-lo em produtividade científica! E já o chamaram de "deficiente físico"... Quem é o deficiente físico? Ele ou nós?

Então, para que possamos ser mais sérios e mais éticos no entendimento das pessoas que nos cercam e, principalmente, na sua formação e orientação, precisamos, antes de tudo, parar imediatamente de fazer comparações idiotas. E, repetindo o que insisto em todas as minhas palestras sobre o assunto, cada criança deve ser entendida como se fosse um alienígena, ou seja, devemos procurar entendê-la a partir dela mesma, nunca comparando-a às demais. Toda comparação só deveria ser permitida se for entre a criança hoje e ela mesma ontem!

Essa visão faz com que entendamos a criança portadora de alguma anomalia como uma criança perfeitamente normal, mas com características que ainda não conhecemos direito e que estamos tentando compreender, com a intenção de ajudar em seu desenvolvimento integral.

Voltando ao "detalhe enriquecedor", precisamos desenvolver métodos para testar, nessas crianças, suas habilidades desenvolvidas, assim como descobrir habilidades em potencial que possam ser estimuladas.

Muitos autistas que entravam em estado de irritabilidade agressiva devido a algum "gatilho" psiquico-comportamental, passaram a ficar bem mais calmos durante períodos muito mais longos quando seus orientadores organizaram toda sua rotina com base apenas em seus interesses principais.

A chave, então, é a descoberta e o estímulo ao tal interesse principal, eliminando nossa natural ansiedade para que esse autista desenvolva também os demais interesses comuns aos demais colegas de classe.

Nosso trabalho passa a ser todo desenvolvido em cima de um único elemento principal, que é o interesse demonstrado pela criança. E essa criança deve ter à sua disposição todos os elementos necessários para que possa sempre estar dando vazão a essa sua preferência, seja ela qual for. Há, inclusive, a possibilidade de vir a desenvolver outras habilidades, desde que estejam ligadas à principal. 


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