Avaliação e Aula Inclusiva - proposta IUPE

10/05/2016 16:35

 

Avaliação e Aula Inclusiva – Proposta IUPE

Desde quando parte da sociedade começou a entender que era necessário respeitar as crianças e os adolescentes que tivessem algum tipo de dificuldade neuropsíquica de aprendizagem em seus direitos de desenvolverem sua inteligência, seu conhecimento de mundo e suas habilidades, surgiram as leis e regulamentos determinando a inclusão escolar.

Infelizmente, nem a elaboração dessas leis, nem as regulamentações posteriores, estão sendo suficientes para alcançar os verdadeiros objetivos da inclusão que são, principalmente, o desenvolvimento da inteligência, do conhecimento de mundo e das habilidades, em paralelo com a sua inclusão social.

Essa proposta do IUPE tem como objetivo principal evitar que essas crianças e esses adolescentes continuem sendo apenas “acolhidos” em uma sala de aula, sem qualquer acompanhamento metodológico especial.

Eles acabam sendo reprovados nas avaliações padronizadas passadas para aquela turma que o “acolheu” e, ao final do ano, são “promovidos” por serem especiais, baixando ainda mais a sua autoestima, convencendo-o de sua incapacidade de aprender e de progredir na vida.

Não há qualquer mistério nem dificuldade de entendimento no cumprimento dessas diretrizes aqui propostas,

Tudo depende da boa vontade dos dirigentes escolares, dos coordenadores pedagógicos e, principalmente, dos professores e demais profissionais envolvidos com os alunos em uma instituição de ensino.

Vamos, então, por partes:

Objetivos da Educação Inclusiva – entendimento humanístico:

Matricular uma criança ou um adolescente com qualquer tipo de dificuldade neuropsíquica de aprendizagem como aluno em uma escola regular, tem como objetivo principal prepará-lo para a sua AUTOSSUFICIÊNCIA FUTURA e como objetivos paralelos imprescindíveis:

1.     ELEVAR AUTOESTIMA:

Criar ou elevar a sua autoestima, mostrando que ele é capaz de conviver socialmente com seus colegas de mesma faixa etária, preparando-o assim para a convivência social nos diversos ambientes em que ele vier a frequentar;

2.     DESENVOLVER HABILIDADES:

Criar oportunidades, nas diversas disciplinas, e com a ajuda dos demais profissionais da escola, para que sejam identificadas as habilidades do aluno especial e, assim, estimular o seu desenvolvimento;

3.     ESTIMULAR INTELECTUALIDADE:

Identificar o seu nível intelectual e cognitivo para adaptar os conteúdos disciplinares e as metodologias ensino-aprendizagem, de forma que, em todas as aulas, o aluno sempre aprenda um pouco a mais do que sabia, sempre visando o seu avanço gradual, respeitando a sua velocidade de raciocínio e a sua capacidade de memória e aprendizado;

A aula inclusiva – parte intelectual e cognitiva

A aula inclusiva deve ser proferida pelo professor regular e assemelha-se a aula em classe multisseriada.

Uma das metodologias mais eficazes que já utilizei foi a de, inicialmente, fazer uma apresentação conceitual básica, preparada como uma peça de marketing, apresentando o assunto a ser tratado, para entusiasmar o público (alunos), com uma linguagem que alcance toda a turma.

Em seguida o professor passa para a primeira fase parte dos estudos dirigidos, reunindo os alunos em grupos operativos, técnica que foi muito bem desenvolvida por Pichon Riviere em sua obra de psicoterapia grupal.

Cada grupo, inicialmente, é composto por alunos com níveis intelectuais e cognitivos semelhantes, e os estudos dirigidos são preparados rigorosamente dentro do nível de entendimento desses participantes.

O professor, então, visita cada um dos grupos, durante todo o restante da aula, verificando as dificuldades e esclarecendo as dúvidas.

A qualquer momento, quando o professor achar necessário e conveniente, ele pede a atenção de toda a classe, para passar alguma informação de interesse geral.

Nas semanas posteriores o professor já analisa se pode mesclar os grupos com alunos em diferentes níveis de intelectualidade e entendimento, para que todos possam aprender a ajudar a todos.

A aula inclusiva – parte inclusiva

Sempre que houver uma oportunidade o professor deverá programar atividades lúdicas pedagógicas, dentro de seus assuntos, de forma que os alunos especiais tenham praticamente a mesma facilidade que os alunos ditos normais.

Isso pode ser feito em forma de jogos, brincadeiras, desenhos, pinturas, etc.

Para preparar os alunos regulares para essa parte da inclusão propriamente dita, é necessário a realização de Assembleias de Classe, quando os alunos são levados a entender as dificuldades do colega especial e são estimulados a colaborar com o seu aprendizado e com a sua inclusão no grupo.

A aula inclusiva – a avaliação

A avaliação do aluno especial tem que ser preparada de forma que o professor tenha certeza de que ele saberá responder a todas as questões, porque essa avaliação servirá, principalmente, para dois objetivos:

1.     Elevar a autoestima do aluno e quebrar os bloqueios impostos pela violência simbólica sofrida durante toda a sua vida;

2.     Mostrar para o professor se o seu método de ensino está correto ou se precisa ser alterado.

Isso significa que se o aluno não obtiver bom resultado na avaliação preparada pelo professor, a avaliação é que está incorreta, e não o aluno!

A nota baixa significa que o aluno não foi devidamente preparado para o nível avaliativo que o professor preparou. Nesse caso o professor refaz a avaliação no nível que o aluno possa responder.

O aluno especial, então, chegará ao final do ano letivo, com notas que mostrem a eficácia do trabalho realizado pelo professor em cada etapa do seu desenvolvimento intelectual e cognitivo.

Essas notas são sempre acima da média mínima para aprovação daquela escola, já que a evolução desse aluno é medida em comparação com o nível dele mesmo no mês anterior.

Haverá, obrigatoriamente, um relatório em anexo com todos os detalhes importantes do acompanhamento realizado durante todo o ano letivo, para facilitar a continuidade do trabalho pela próxima escola ou pelo próximo professor.

Casos especiais

Há alunos que apresentem falha na memória de longa duração, ou seja, lembram do que está sendo ensinado naquele momento, mas não são capazes de gravar na memória de longa duração, o que significa que amanhã terão que aprender tudo novamente.

As avaliações desses alunos devem ser realizadas no mesmo dia do aprendizado, e as suas respostas corretas devem ser reconhecidas com alegria, pelo professor, para que a autoestima elevada possibilite o trabalho interno do cérebro, no sentido de ir corrigindo esse bloqueio emocional ou até, quem sabe, uma possível falha neurológica.

Exemplo de abordagens em diferentes níveis na mesma classe

Classe oitavo ano Ensino Fundamental.

Matéria: Geografia

Assunto: Vizinhos dos Estados Unidos

Enquanto os alunos do nível 8º ano estão estudando as diferenças econômicas e sociais dos vizinhos dos EUA, os de nível intelectual de 1º ano estão grifando os nomes dos países e copiando em outra folha, e os de nível de educação infantil estão pintando os mapas para desenvolver a coordenação motora.

Para as avaliações, os de nível de 8º ano responderão as perguntas previstas no livro, enquanto os de nível de 1º ano farão cópias das frases com os nomes dos países ou exercícios de associação entre mapas e nomes, e os de nível de educação infantil terão mais mapas para colorir.

As notas dos do nível 8º ano serão as que os alunos obtiverem mesmo, mas as de outros níveis serão sempre acima do mínimo, para elevar a sua autoestima e facilitar a quebra dos bloqueios emocionais sempre existentes nos alunos com dificuldades de aprendizagem.

Conclusão

Para saber como acompanhar o aluno especial, como escolher a turma que ele vai estar incluído e como fazer suas avaliações, basta que o professor tenha a boa vontade de entender qual a finalidade de esse aluno estar na escola, e o que ele (professor) pode fazer para ajudar esse aluno a aprender sempre alguma coisa a mais e desenvolver habilidades que o permitam alcançar sua autossuficiência pessoal e profissional.


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