Educação inclusiva 05 Tarefas - avaliações - boletins - histórico

18/10/2016 12:26

 

Amigos,

Vamos falar novamente de EDUCAÇÃO INCLUSIVA VERDADEIRA, suas maiores dificuldades e as melhores soluções.

Hoje sobre o assunto que traz as dúvidas mais recorrentes nesse processo e mais desentendidas, que são: TAREFAS, AVALIAÇÕES, BOLETINS E HISTÓRICO ESCOLAR.

Eu sou o professor Roberto Andersen, educador, psicanalista e pesquisador na área da aprendizagem, principalmente na elaboração de metodologias que facilitem a educação inclusiva.

Vamos, então, ao tema de hoje:

Para deixar bem claro, existe toda uma legislação, baseada inicialmente da LDB, bem antiga, mas perfeita, e mais recentemente na Lei 13.146/2015, chamada de Lei Brasileira da Inclusão da Pessoa com Deficiência, ou também, Estatuto da Pessoa com Deficiência.

A partir dessas leis surgem as resoluções dos Conselhos Estaduais e Municipais, para regulamentar a matéria e dar detalhes da sua execução.

Mas mesmo lendo tudo isso, ainda surgem muitas dúvidas, e por isso é bastante conveniente tomarmos muito cuidado para não inverter as coisas!

As leis e resoluções estão sendo feitas para evitar que os alunos com dificuldades de aprendizagem continuem invisíveis aos professores, às escolas e à sociedade, e assim não tenham a menor chance de estarem sendo preparados corretamente para a vida profissional, seja em nível técnico ou superior.

Mas a forma como muitos professores, coordenadores e dirigentes escolares vêm interpretando essas leis e resoluções, estão, em vez de desenvolvendo e incluindo socialmente esses alunos, excluindo-os ainda mais e provocando a eliminação total de sua autoestima, fazendo com que acabem desistindo de frequentar as aulas.

Então, vamos deixar bem claro, em primeiro lugar, que quem conhece o aluno, quem sabe lidar com ele, e quem sabe o que é melhor para ele, é o professor dele, a menos que esse professor esteja considerando esse aluno apenas uma peça do mobiliário da sala, como tenho visto muito frequentemente!

Então quem tem que planejar o que fazer e de que forma fazer, é esse professor desde que esteja consciente de qual é o seu verdadeiro papel como professor, que eu acredito que seja:
Garantir a aprendizagem de todos os seus alunos, a partir daquilo que cada um sabe e respeitando as suas habilidades de entendimento, compreensão e elaboração.

Se as suas atitudes didáticas e metodológicas estiverem alcançando esse objetivo, e se as normas oficiais não estiverem de acordo, o erro está nas normas, e não no método.

Lembrem sempre que as normas foram feitas para facilitar a aprendizagem e, logo, se elas dificultam, estão erradas e precisam ser revisadas.

E só poderão ser revisadas se os Conselhos de Classe apresentarem as razões pelas quais, naquela escola, percebeu-se que para garantir os verdadeiros objetivos da educação inclusiva, tais e tais métodos precisaram ser adaptados.

Uma resolução de Conselho de Classe bem fundamentada é o que vai alimentar todo o sistema educacional, para que as legislações e resoluções educacionais sejam aperfeiçoadas.

Então vamos analisar os fatos:

LEMBREMOS SEMPRE DOS OBJETIVOS DA EDUCAÇÃO INCLUSIVA:

1-Garantir que todos os dias o aluno especial aprenda mais alguma coisa a partir daquilo que ele já sabe, explorando suas habilidades, visando sua autossuficiência futura.

2-Preparar o aluno especial, assim como seus colegas normais, para que consigam ter uma convivência saudável e respeitosa, independentemente de suas características físicas ou psíquicas.

Vamos ver hoje TAREFAS E AVALIAÇÕES.

Antes de preparar qualquer tarefa, para qualquer aluno, em qualquer turma, ou também, antes de preparar qualquer avaliação, para qualquer aluno, em qualquer turma, o professor deve estar bem atento à finalidade daquela tarefa ou daquela avaliação.

Qual a finalidade da tarefa e qual a finalidade da avaliação?

Finalidades da tarefa:

Possibilitar ao aluno que ele exercite o seu aprendizado e se convença de que está realmente aprendendo alguma coisa daquele assunto e se sinta capaz e produtivo.

Dar oportunidade ao aluno de descobrir a parte do assunto que ele ainda não entendeu corretamente, a partir da dificuldade que ele vai sentir durante a realização dessa tarefa.

PROFESSOR

Ao observar a realização das tarefas, identificar pontos do assunto que devem ser explicados novamente ou de forma diferente.

Facilitar, para o professor, a identificação de alunos com dificuldades de aprendizagem em sua matéria, para fundamentar alterações em seu plano de trabalho, de forma a quebrar possíveis bloqueios emocionais e garantir, para tais alunos, algum tipo de aprendizagem.

Finalidade da avaliação:

Verificar, com registro de pontuação, se houve aprendizagem real dentro daquilo que foi ensinado nas aulas e treinado nas tarefas realizadas anteriormente.

OK?

Se nós entendemos as finalidades, vamos, então, à prática:

Tarefa em classe – reflexão sobre as tarefas:

Se você entregar ao aluno especial a mesma tarefa que entregou aos alunos regulares, na hora que ele olhar a tarefa e verificar que nada entende, você acredita mesmo que ele vai se sentir um aluno normal como os colegas?

Ou será que ele vai se sentir inferiorizado e excluído, ficando cada vez mais triste e sofrendo isso como mais uma violência simbólica em sua vida? 

Então:

A tarefa feita em classe deve ser elaborada dentro do nível de entendimento do aluno de forma que ele consiga resolvê-la, mesmo que, para isso, precise do apoio do professor ou de algum colega.

O mais importante é que, mesmo ajudado, ele perceba que conseguiu realiza-la, para que seja alcançado o ponto principal de toda a sua evolução, que é a elevação de sua autoestima.

O aumento da dificuldade das tarefas deve ser feito com muito cuidado, para evitar que surjam dificuldades além das que o aluno está preparado para enfrentar, evitando assim o seu desânimo ou sentimento de incapacidade, reduzindo sua autoestima.

Os professores deverão elaborar as tarefas com muita criatividade, para que o tema seja o mesmo e a aparência seja semelhante às tarefas dos demais alunos, embora o conteúdo seja específico.

Vamos a um exemplo:

Uma aula de matemática em que esteja sendo ensinado seno e cosseno de ângulos, a figura ilustrativa de um observador, a uma distância conhecida de uma grande árvore, olhando para o seu topo, pode muito bem ser exatamente a mesma figura do aluno em nível de alfabetização, só que esse estará colorindo as figuras, registrando os nomes da árvore e os números correspondentes à distância, etc., enquanto aquele estará calculando a altura da árvore utilizando senos e cossenos.

Observação:

Importante sempre analisar a possibilidade de uma questão da tarefa de classe ser no nível dos alunos especiais, mas para todos resolverem em conjunto. Serve como ludicidade para o aluno normal e como estímulo e elevação da autoestima para os alunos especiais.

Tarefa para casa - reflexão:

Se você mandar, como dever de casa, para o aluno especial, o mesmo dever que mandou para os demais alunos, quando os pais perceberem que seu filho não sabe nem do que trata o dever, você acha mesmo que esses pais vão ficar satisfeitos, felizes e alegres sabendo que seu filho, mesmo nada entendendo, está sendo incluído naquela escola?

Ou será que esses pais vão achar que você, como professor, é um fracasso, e que não consegue ensinar nada ao filho deles?

Então:

Cada dever de casa deve ser elaborado de forma que você, como professor dele, tenha certeza de que esse aluno conseguirá realiza-lo sozinho em casa!

Assim você estará colaborando para elevar a autoestima do aluno e também satisfazendo a expectativa dos pais, que verão o filho avançando pouco a pouco.

Grande parte dos bloqueios emocionais que prejudicam ainda mais a evolução dos alunos especiais está na forma como sua família o trata, principalmente na comparação que naturalmente é feita entre os irmãos, primos, etc.

Por esse motivo que a tarefa para casa desses alunos acaba tendo dupla finalidade, uma para o próprio aluno, que deve se sentir capaz de resolver a tarefa sozinho, e outra para a sua família, que deve perceber que seu filho está evoluindo.

Essa tarefa, então, deve ser preparada com questões que o professor tenha absoluta certeza de que esse aluno consegue entender e resolver sozinho, mesmo que, para isso, ela tenha que ser quase a cópia das tarefas realizadas por ele em classe.

Só assim não haverá interferência negativa da família na autoestima desse aluno e ele se sentirá capaz e com estímulo para evoluir ainda mais.

Avaliações – reflexão:

Se você entregar para o aluno especial a mesma avaliação que entregou aos alunos regulares, você acha mesmo que ele vai ficar satisfeito e animado por ter tirado zero por não ter entendido nada das questões?

Ou será que ele vai desanimar, baixar a sua autoestima e nunca mais querer voltar para a escola por se sentir inferior e excluído?

Então:

A avaliação do aluno especial incluído deve ter a mesma aparência, os mesmos desenhos e o mesmo tema da dos demais alunos, mas as questões devem ser elaboradas dentro daquilo que o professor está certo de que conseguiu durante seu processo de acompanhamento.

O professor prepara uma prova estando seguro de que, se sua expectativa estiver correta, o aluno terá nota 10,0!

Qualquer nota abaixo disso mostrará ao professor que houve erro na sua expectativa e que sua forma de ensinar a esse aluno deverá ser alterada.

Vamos analisar com mais detalhes?

A finalidade da avaliação para esses alunos é sempre garantir, para o professor, que a forma e a metodologia que ele está utilizando para garantir a aprendizagem desse aluno está dando certo.

Assim sendo, as questões dessa avaliação deverão estar todas exatamente dentro do nível de aprendizagem que o professor acredita que o aluno tenha alcançado.

Se a nota do aluno for boa significa que o professor conseguiu o seu objetivo principal, que é fazer o aluno aprender algo a mais do que já sabia e está evoluindo rumo à sua futura autossuficiência.

Se a nota do aluno for baixa significa que o professor deverá analisar seus métodos e rever sua forma de ensino. O mais importante, entretanto, é que ele deve elaborar outra prova, urgentemente, essa já no nível mais baixo, para que o aluno a consiga resolver a contento e assim evite baixar a sua autoestima.

Boletins e históricos – reflexão:

Se as avaliações foram feitas iguais às dos alunos regulares e, naturalmente, os resultados dos alunos especiais foram todos ZERADOS, e você colocar no HISTÓRICO ESCOLAR todas as notas ZERO e na observação:

ALUNO PROMOVIDO À SERIE SEGUINTE POR SER ESPECIAL

Você acha mesmo que o aluno e seus pais vão ficar alegres e felizes com o HISTÓRICO ZERADO e com essa observação?

Ou vão achar que ele está apenas sendo ACOLHIDO por que a escola é boazinha, mas não tem nenhuma possibilidade de se desenvolver na vida?

Então:

No histórico serão lançadas exatamente as notas obtidas de acordo com as avaliações realizadas da forma correta, dentro de seu nível de entendimento, compreensão e elaboração, e, agora sim, nas observações:

Aluno especial incluído: “Aluno em acompanhamento especial: O conteúdo aprendido em cada matéria, assim como as metodologias utilizadas, estão descritas no relatório em anexo a esse documento”

Ou seja:

Dessa forma o aluno especial, quando bem desenvolvido pelo professor, terá sempre notas boas em seu histórico e, ao ler isso, todos, aluno e pais, estarão conscientes de que a criança está em desenvolvimento, independentemente do seu nível de entendimento, compreensão e elaboração.

As próximas escolas que o receberem terão todos os dados necessários para darem continuidade ao processo de desenvolvimento e inclusão.

Conclusão importante:

Para o aluno especial tanto as tarefas, como as avaliações, e até o seu boletim e histórico escolar, devem servir para:

Em primeiro lugar, para mostrar ao próprio aluno de que ele é capaz e que está evoluindo em seu aprendizado.

Em segundo lugar, para mostrar ao professor se seu método de ensino voltado para esse aluno está correto ou se deve ser modificado.

Fazendo tudo dessa forma estaremos realmente cumprindo os objetivos principais da educação inclusiva verdadeira.

É isso, amigos.

Qualquer questionamento, dúvidas ou sugestões, entrem em contato pelo e-mail

robertoandersen@gmail.com

Ou pelo whatsapp ou telegram

(71) 9-9913-5956

Pelo facebook

Faceboook.com/andersen.roberto

Ou pelo twitter

Twitter.com/robertoandersen

Os livros podem ser adquiridos pelo mercado livre, clicando na capa de um deles em nosso BLOG

Robertoandersen.blogspot.com

Ou no nosso portal

www.iupe.org.br

É sempre um prazer poder conversar com vocês sobre esses assuntos.

Um forte abraço e até nosso próximo encontro


Crie um site com

  • Totalmente GRÁTIS
  • Design profissional
  • Criação super fácil

Este site foi criado com Webnode. Crie o seu de graça agora!