Família e escola - algumas dicas para pais e professores

07/12/2016 07:13

Família e escola

Educar nunca foi fácil!

Se a criança fosse uma máquina cibernética, como os robôs produzidos pelos laboratórios de inteligência artificial, bastaria implantar uma boa programação no seu cérebro e ligar a chave.

Na hora de dormir, em vez de tentar convencê-lo a desligar o celular, ou a parar de jogar no computador, bastaria desligar a chave.

Mas nossos filhos ainda são biológicos, com cérebros que se desenvolvem sozinhos, embora sejam tão programáveis como os robôs, mas com diferenças fundamentais:

Uma delas é o componente emocional, que não existe no robô;

Outro é o fato de sua programação ser realizada o tempo todo, durante toda a vida, e por uma infinidade de programadores!

Podemos comparar dizendo que o robô é o sistema Windows e nosso filho é o Linux.

O Windows já vem com programação de fábrica e ninguém altera.

O Linux é de programação livre e todo mundo mete a mão.

Essa programação é realizada, ao mesmo tempo, pelas informações genéticas e biológicas, mas, principalmente, pela forma como ele percebe e sente todo o mundo que está à sua volta.

Isso significa que a programação do nosso filho é feita tanto pelos genes recebidos por herança biológica, como também por:

- A forma como ele percebe e sente o relacionamento conosco;

- A forma como ele percebe e sente o mundo à sua volta;

- A forma como ele se relaciona com o resto da família e amigos;

- A forma como ele percebe e sente a relação com os professores e colegas;

- A forma como ele se emociona com os programas de TV, com os jogos pelo computador, com as conversas pelas redes sociais;

- A forma como ele se entusiasma ou despreza os livros que lê, os conteúdos das aulas as quais assiste, e tudo o mais.

E como os cérebros são diferentes, isso significa que a forma de eles perceberem, sentirem, se emocionarem, se entusiasmarem ou desprezarem varia muito, de um para outro.

Não existe um padrão de comportamento emocional.

Isso a gente percebe ao analisar a diferença de comportamento entre irmãos, mesmo vivendo na mesma casa e sujeitos à mesma educação.

Mas nem tudo é desesperador, já que sempre existe algo em comum em todos eles.

E é esse algo em comum que devemos buscar para interferirmos, de forma positiva, nessa programação, para que seja construído nele um equilíbrio emocional e uma segurança afetiva que vai defende-lo de quaisquer sentimentos ruins, emoções negativas, tristezas, ansiedades e angústias.

Como fazer isso?

Primeiramente fazer uma aliança entre a família e a escola.

Sabemos que a parte da educação em casa é diferente da parte da educação na escola, mas são áreas complementares. Uma não funciona sem a outra.

Sabemos também que pais não aprenderam a serem pais nem a educar seus filhos.

Pais tentam fazer sua parte por intuição. Essa educação doméstica visa formar pessoas equilibradas emocionalmente e com a segurança afetiva necessária para estar de bem com a vida.

Professores aprenderam, nas faculdades, a educar, mas essa educação visa desenvolver o conhecimento e a intelectualidade visando o sucesso profissional.

E agora?

Primeiro de tudo, a família deve entender que muitas das características de seus filhos só serão percebidos pelos professores, na escola.

Então é importantíssimo ouvir o que cada professor pode dizer do filho, sem aquela de “quem conhece muito bem meu filho sou eu! ”

Nada disso!

Nós conhecemos as características que nossos filhos apresentam em nossa casa e na nossa frente, mas não as que ele só apresentará ao se ver livre e solto entre colegas de sua turma e sem a observação dos pais.

E para que possamos garantir seu desenvolvimento correto precisamos ouvir os professores e buscar dicas para a nossa parte da educação.

Lembrem que a nossa, em casa, é a que garante a felicidade, desde que sejam construídos o equilíbrio emocional e a segurança afetiva que só nós, em casa podemos dar.

Nesse nosso encontro de hoje vamos apresentar algumas dicas que podem ajudar na parte da construção de equilíbrio emocional e segurança afetiva.

Vamos a elas:

Dica 1 - Escuta ativa

Pare tudo para ouvir o filho, quando você perceber que ele precisa dizer algo.

Nem sempre será fácil ele conseguir dizer algo, mesmo que ele sinta que você não vai criticá-lo nem o punir.

Há assuntos, principalmente na adolescência, como sentimentos, emoções e atrações, que nem ele mesmo está entendendo e que precisa de apoio emocional e afetivo para isso.

Então a ESCUTA ATIVA significa escutar e estimulá-lo a falar ainda mais e com mais liberdade, tudo o que ele está sentindo, sem que precise medir as palavras nem esconder seus verdadeiros sentimentos ou emoções.

ESCUTA ATIVA significa não interromper sua frase no meio, mesmo que já saibamos o que ele vai dizer.

ESCUTA ATIVA significa procurar entender o que ele está sentindo, mesmo que ele não consiga se expressar, e dar todo o apoio emocional que ele precisa nesse momento.

Dica 2 - Afeto paternal e maternal e limites

Os pais costumam abraçar, beijar, dar carinho e afagar seus filhos e ir mostrando o que é certo e o que é errado, enquanto são bebês.

Isso reduz um pouco na fase da infância.

E, infelizmente reduz mais ainda e quase se anula, a partir da adolescência.

Dar amor verdadeiro significa dar afeto e impor limites o tempo toda e para toda a vida!

Afeto preenche a necessidade de satisfação emocional.

Limites preenche a necessidade de segurança emocional.

Não é por acaso que o consumo de maconha e a procura de atitudes de risco ou de autopunição aumentam na mesma proporção em que o afeto paternal e maternal e a imposição de limites são reduzidos.

Mas é muito clara essa relação! Qualquer pesquisa séria nesses campos mostra isso!

O ser humano, como falemos no início, difere muito do robô, exatamente por ser constituído de uma parte emocional dominante!

Sem o preenchimento dessa parte emocional surge a carência afetiva e a falta de segurança.

E na medida que essa carência afetiva e essa insegurança emocional aumentam, surgem ansiedades, angústias e até estados depressivos que podem ser muito graves!

Então a afetividade e os limites no relacionamento entre pais e filhos devem ser constantemente praticados, para que não sejam deixados espaços em branco, mal preenchidos, e que acabarão dando margem a serem preenchidos por influências negativas destruidoras!

Dedique sempre algum tempo para estar com ele, mesmo sem falar nada, só estar junto dele, observando o que ele faz, mostrando que está à sua disposição e que sele sempre terá momentos como esse, por mais ocupado que você seja não resto todo da semana.

Um abraço em cada um desses momentos é uma troca de afeto que só constrói toda essa segurança emocional que ele precisa.

Dida 3 - Sobre a escola e os estudos

Não pergunte de aulas, provas, notas, nada disso! Se ele falar, tudo bem.

A conversa diária após as aulas deve incluir apenas um tipo de pergunta:

Me diga o que você tem aprendido!

Me mostre o que você tem descoberto nos estudos.

Me mostre o que você está conseguindo produzir nos trabalhos.

Me ensine algo interessante que você aprendeu! Afinal, tem muita coisa nova que eu não sei ainda...

E sempre que perceber algum erro ou que ele lhe mostrar que errou alguma coisa, o comentário deve ser estimulante, ou seja:

É, mas você quase acertou! Daqui a pouco você vai estar dominando o assunto! Errar é parte importante do processo de aprender.

Se você perguntar por notas ele só vai se interessar por elas, e nunca pela aprendizagem dos assuntos.

E a cada fracasso virá a ansiedade, que pode levar a angústias e em seguida a todas as atitudes destruidoras buscando uma compensação pelo seu erro ou uma autopunição por ter fracassado.

Observação importante - Pais separados

Se os pais forem separados, tudo isso tem que ser feito por cada um dos dois.

E, o mais importante de tudo, no caso de pais separados é que cada um SÓ DEVE FALAR SOBRE AS QUALIDADES DO OUTRO!

O filho precisa gostar e sentir amor pelos dois, nunca apenas por um e jamais ser levado a desprezar o outro.

Concluindo nosso encontro de hoje:

Dedique tempo para ouvir seu filho e mostre que ele pode dizer tudo o que sente, sempre que desejar, e sem ter receio de ser mal-entendido nem criticado.

Abrace-o sempre e mostre sua preocupação com sua segurança, sua saúde e sua felicidade. Por isso você quer saber onde ele vai com quem anda e o que faz. Porque você sente amor por ele, de verdade!

Estimule-o a querer aprender cada vez mais, independentemente de notas, provas, resultados, etc. Erros fazem parte do aprendizado e ajudam a construir o sucesso com mais segurança.

E podem ter certeza de que, agindo assim, resgataremos para nosso filho o amor que ele precisa sentir por ele mesmo, a autoconfiança e a satisfação e a segurança emocional que vão resultar em felicidade, para ele e para você.


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