Paranormalidade

25/02/2009 17:10

Roberto Andersen

 

Mesmo sem acreditar na unanimidade do pensamento humano, acredito que os mistérios apresentados pelos tênues limites entre o natural e o sobrenatural são os que mais intrigam e fascinam o homem.

Ciganas que lêem as mãos; jogadores de búzios dos candomblés da Bahia; videntes com bola de cristal; cartas de tarot; duendes; numerologia; telepatia; clarividência; premonição; milagres e curas... são fatos que geram interpretações as mais variadas possíveis, do ceticismo emburrecido, totalmente anti-científico, ao fanatismo cego e perigoso.

A partir desses atos e desses fatos e a depender do estado de aceitação dessa ou daquela comunidade, surgem as idéias a respeito. Afinal, elas (as idéias) nem sempre são geradas espontaneamente. Muitas decorrem da observação de eventos, de fatos e de atos. E quando esses atos são situações marcadas por conflitos geram-se, mais facilmente: a razão; a consciência de; e a consciência moral; conforme nos apresenta Mannheim

A pesquisa, o estudo profundo e a apresentação de trabalhos bem elaborados e empolgantes sobre o assunto representam a solução educacional básica para colaborar com a redução da ignorância sobre assunto tão importante e tão mal entendido e que, freqüentemente, leva pessoas a atitudes desastrosas contra a própria vida ou de outrem.

Assim como encontramos conhecimentos verdadeiros dentro da mais pura charlatanice, podemos encontrar inverdades básicas em comprovações científicas de reconhecimento mundial.

A investigação é sempre o caminho mais correto para se comprovar ou se contestar uma idéia, por mais absurda que ela nos pareça.

Descartar uma investigação por simples descrença ou falta de evidências científicas constitui o caminho mais rápido para a construção de um sentimento intolerante e acomodado, responsável por atravancar o progresso do pensamento universal.

Os fatos, os eventos e as idéias existem e precisam ser investigados, analisados e questionados, sempre dentro de uma razão impessoal, científica e neutra, livre de aspectos emocionais e independente de dogmas, sejam eles quais forem sem descartar a possibilidade da existência do inexplicável.

E os resultados serão sempre temporários e dinâmicos, pois dinâmica é a evolução do pensamento humano.

Até a influência do momento histórico-sócio-cultural de uma coletividade altera definições conceituais podendo tornar natural o que antes ou em outra coletividade seria considerado sobrenatural, já que "assuntos humanos não podem ser compreendidos pelo isolamento de seus elementos" , ou seja, todos os significados são interdependentes e sempre relacionados ao momento histórico social daquele grupo.

Influi também bastante o real interesse dos pesquisadores em entender um pouco dos mistérios da natureza, assim como o equivocado interesse de pseudo pesquisadores em simplesmente descartar como inexistente aquilo que não conseguem explicar.

Cada resultado suscita novas perguntas e abre novas possibilidades de entendimento das mesmas verdades.

O inexplicável cerca a humanidade desde que o mundo é mundo, muitas vezes apresentando processos que até entendemos sem, entretanto, termos condições para entender suas causas ou seus elementos geradores.

Em outros momentos apresentando eventos que nem aceitamos com real, mas que com o avanço da ciência, acabamos por aceitá-lo como verdade ou, pelo menos, como sendo até possível.

Nesses momentos de inexplicação científica evidente, a ciência verdadeira e profunda, já convencida de que não pode sobreviver sem a integração com todas as demais áreas do conhecimento humano, dá um grande passo em direção ao alargamento de seus horizontes pois, além de não se descartar qualquer evento, seja ele qual for, leva em consideração em sua análise as próprias explicações místicas sobre o assunto.

A ciência ,sendo necessariamente neutra, pesquisa a fundo todas as possibilidades apresentadas, estudando a explicação a partir de cada dogma e analisando as diferenças inter-dogmáticas.

A ligação a um dogma único de uma determinada linha religiosa leva ao encerramento do processo de curiosidade necessário ao alargamento dos horizontes intelectuais de toda a humanidade.

Tal rigidez dogmática foi muito utilizada em momentos da nossa evolução intelectual, trazendo conseqüências irreparáveis, como foi o processo da inquisição levada a efeito pela Igreja.

Era o desespero dos religiosos que, incapazes de apresentar argumentos convincentes a respeito de seus dogmas, preferiam eliminar aqueles que, com profundidade de raciocínio, iam contra seus dogmas e crenças.

Erros graves são, então, cometidos, quando a base de nosso raciocínio é inexpugnável, rígida e intransigente, e isso não ocorre apenas com a religião, mas principalmente na ciência.

Fatos considerados sobrenaturais devem sempre ser estudados independente de qualquer dogmatização, procurando integrar os conceitos do maior número possível de crenças, sejam elas místicas, espirituais, espiritualistas, materialistas, científicas ou filosóficas, evitando a concentração em uma única forma de se ver aquela verdade.

Pretendemos mostrar que a diferença entre o natural e o sobrenatural se dá, muitas vezes, pela limitação perceptiva do ser humano dito normal e que ele já nasce com faculdades consideradas sensitivas e mediúnicas e as perde a partir da influência castradora do comportamento social.

Acreditamos assim estar colaborando para o melhor conhecimento do sobrenatural eliminando as barreiras dogmáticas, os bloqueios de raciocínio e as "fugas" psicológicas, evitando assim o deslumbramento e a idolatria direcionada aos detentores de faculdades ditas paranormais.

Estaremos também incentivando o questionamento e a pesquisa permanente de todos os fenômenos naturais e sobrenaturais que significam algum tipo de mistério para a humanidade.

 

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